O TEMPLO DE JANUS E OS 4 CAVALEIROS

fevereiro 1, 2007

TEXTO DE AUTORIA DE ALEXANDRE ZILCH, MEU IRMÃO STEINER DO CLUBE DOS GENERAIS.

 

Abrem-se os fastos da História

Estão livres os Quatro Cavaleiros do Apocalipse!

A Discórdia – A Guerra – A Fome – A Morte

” Em Roma, o Templo de Janus, o Deus da Paz, só se fechava quando a nação estava em paz, o que aconteceu apenas 9 vezes em mil anos… E os seguidores da guerra, atravessaram os séculos…”

 

Está aberta a porta do Templo de Marte!

Guerra! Não existe palavra mais fascinante e mais odiosa. E, com certeza, não há assunto mais palpitante e atraente. Por mais absurdo que pareça, a Guerra goza de um incomensurável prestígio. Em todos os povos, através de todas as épocas, exerceu discricionariamente o seu mórbido fascínio. Teve, tem e talvez terá tantos apóstolos, quanto mártires. Desde o seu nascimento, motivou as atenções de todos os seres humanos. Foi sempre um assunto privilegiado, sobre o qual nenhum filósofo ou pensador, de valor exponencial, deixou de se ocupar.

Friedrich Nietzche cantou a guerra com todo o ardor:

“A guerra é um admirável remédio para todos os povos que começam a enfraquecer-se e a acomodar-se desprezívelmente; excita os instintos que a paz adormenta. Guerra e serviço militar são os antídotos naturais da efeminização democrática”.

“Quando os instintos de uma sociedade fogem da guerra e da conquista, a sociedade está decadente e madura para a democracia e para o governo dos negociantes”.

E o filósofo, em uma notável predição escrita em 1887, dizia:

“Dentro de 50 anos esta babel de governos (as democracias da Europa) irá chocar-se numa guerra gigantesca para a conquista dos mercados do mundo. Mas, talvez, desta loucura sobrevenha a unificação da Europa, um fim para o qual uma guerra de comércio não seria um preço muito alto”.

E continua o filósofo pregador da guerra:

“Deveis amar a paz como meio de novas guerras, e mais a paz curta do que a prolongada. Não vos aconselho o trabalho, mas a luta. Não vos aconselho a paz, mas a vitória. Seja o vosso trabalho, uma luta! Seja a vossa paz uma vitória. Não é possível permanecer calado e estar tranqüilo, senão quando se tem flechas no arco; a não ser assim, questiona-se “a boa guerra é a que santifica todas as coisas. A guerra e o valor tem feito mais coisas grandes do que o amor ao próximo. Não foi vossa piedade, mas a vossa bravura que até hoje salvou os náufragos”.

A filosofia de Thomas Hobbes explicou a causa das guerras, que há milênios devastam a humanidade:

“As sociedades políticas gozam do direito de agir conforme a sua conveniência. Por isso mesmo, elas são obrigadas a viver em perpétuo estado de guerra.”

Eloqüente e ornamentoso, Friedrich Hegel cantou a aPologia da hecatombe humana, com uma solene metáfora, na qual o filósofo compara o destino das batalhas e o destino das procelas, sob o mesmo ângulo cósmico.

“A guerra é o estado das coisas, onde a saúde das nações conserva em vigor, como as águas do mar são preservadas da corrupção, pelo sopro das tempestades.”

Joseph de Maistre confessou-se desolado, quando à pacificação das potências:

“A guerra é o estado habitual do gênero humano. Para cada nação, a paz não é mais do que uma espera”.

Eis a filosofia, expressiva e pungente, do eterno dissídio da humanidade.

O “Kronprinz” Frederico Guilherme da Prússia pronunciou o vaticínio inesquecível que ainda hoje ecoa como um assombro:

 

“Até o fim do mundo, a espada será o fator supremo, o fator decisivo”.

 

Realmente, a guerra tem sido assunto preferido dos cronistas e tema caro aos filósofos. Nuvens sombrias, através dos séculos, cobrem os céus da humanidade. Os povos se armam.

A verdade é que a paz universal, em todos os momentos da história, sempre foi uma utopia generosa, sonhada por bons filantropos a serviço do pensamento humano, ou mais simplesmente, um ardil da própria guerra que elegantemente se mascára.

Como ardil, sempre se desmascarou.

Como utopia, até hoje é irrealizável, porque os canhões tem fome e os couraçados tem sede.

A guerra é a monstruosa caça que alimenta esses monstros; é ela, a devoradora de cidades, campos e aldeias; é ela quem digere, após saciada, lares, fábricas, povoações.

E para os industriais da guerra, os capitalistas, com a sua avidez de vampiros do ouro, os povos são algarismos.

Justamente por isso, a paz eterna só existe nos cemitérios: o idílio dos povos e o beijo fraternal das nações são uma realidade insustentável.

Olhando retrospectivamente a história, que tem sido ela nos milênios de seu decurso? Uma sucessão de guerras, uma eternidade de lutas, um morrer sem fim e um acabar para sempre.

O solo da Ásia e da Europa é, em verdade, todo ele, um cemitério de povos, uma vala comum de nações. Cavando-se a terra encontrar-se-á, com certeza, a ossada dos impérios, o cadáver das repúblicas, os restos mortais dos vencidos e dos vencedores.

E os outros continentes, como a América? Não é ela também senão um ossuário de civilizações extintas, destruídas pelo próprio homem?

E a África, lançada aos acasos dos mais cruentos jogos, não é igualmente capítulos esparsos que o tempo destruiu, indo levar o sangue e a carne de seus filhos para morrer como escravos em longínquas terras?

 

Morte e a Guerra, irmãs gêmeas que fazem ouvir atrevidamente sua voz na laje das sepulturas.

O que resta de Cartago? Onde estão os restos mortais de Amílcar e do seu filho, o grande Aníbal? A guerra destruiu e toda uma nação desapareceu…

A guerra acabou com Roma e seus monumentos, extinguiu o império de Carlos Magno, o de Napoleão, o de Hitler… e todos os conquistadores que imaginaram sobreviver a seu tempo e à sua ambição.

Muitos morreram nela, outros em decorrência dela. Vejam os Alexandres e os Césares….

A guerra destrói seus deuses, porquanto na voragem dela, apaga-se a chama dos guerreiros e a glória dos vencedores.

Ao final, somente a Morte é quem vence, o que fica é o cemitério. As ossadas dos vencedores juntam-se às dos vencidos.

Os anos passam, os séculos turbilhonam, as idades correm atrás das idades – e os mortos continuarão mortos.

 

Os Cavaleiros do Apocalipse são os guardiões do Templo de Marte, para mantê-lo sempre aberto…

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