Submarino invisível russo preocupa Pentágono

agosto 22, 2012

O submarino, munido de mísseis de cruzeiro, esteve durante um mês em navegação nas águas do golfo do México. Ele foi detetado somente quando deixava esta região. A informação foi difundida pela editora americana Washington Free Beacon que cita altas fontes não mencionados do Pentágono.

O submarino multimissão russo, projeto 971 ou, de acordo com a classificação da OTAN, Tubarão, patrulhou durante várias semanas de junho e julho deste ano o litoral americano. Os satélites e sensores hidroacústicos americanos não conseguiram detetar a sua presença neste local. O submarino foi intercetado somente quando mostrou aos americanos o seu “rabo”.

Matéria completa no site da VOZ DA RÚSSIA

O que me chamou a atenção foi essa passagem:

Mas é pouco provável que a informação tivesse “transpirado” por acaso. Desta maneira o Pentágono procura convencer o Congresso a destinar mais dinheiro para fins militares,- supõe Alexander Khramchikhin, perito do Instituto de Análise Política e Militar.

“Estou certo de que toda esta informação tem em vista o orçamento. É que agora o orçamento militar americano atravessa uma fase de grande redução. Portanto, esta campanha de propaganda visa evitar os cortes de despesas na Marinha de Guerra.”

A Guerra Fria acabou. E embora Putin, ex-KGB e Cold Warrior at heart compreensivelmente sinta saudade dela (AQUI ele encontra seu grande ídolo, ele é o ‘turista inocente’ com a câmera no pescoço à direita…), dificilmente ela voltará. Para tristeza de uma legião de viúvas de todos os matizes ideológicos.
E como está difícil arrumar verbas militares, cada vez que acontece uma coisa dessas (e acontece o tempo todo, dos dois lados) o lobby das Forças Armadas (que inclue os que tem interesses na construção das armas, não só as industrias mas as cidades e estados onde essas industrias ficam: lobby é uma atividade perfeitamente legítima, ao contrário do que muitos pensam!) bota a boca no trombone.
No caso aqui, o problema é que os SSNs da classe Seawolf, que deveriam substituir a classe Los Angeles, tiveram sua construção cancelada depois de 3 barcos por questões de custo: sem a Marinha russa como ameaça e com a Marinha chinesa sendo um marinha de águas verdes, ficou difícil justificar um barco que custa 30 e tantos BILHÕES de dólares por cabeça.
Como alternativa mais barata, projetou-se a classe Virgínia (só US$ 2,4 bilhões por barco), menor, mais adaptada aos conflitos de baixa intensidade que se esperam para o futuro, usando o máximo de COTS (Comercial Off-the-Shelf, componentes e sistemas já disponíveis na indústria, de uso geral, ao invés de equipamento desenhado especificamente para ele) e com uma mãozinha dos primos britânicos, que cederam parte da tecnologia já testada e aprovada em seus SSNs classe Swiftsure.
O problema é: se você achar picanha sendo vendida pelo preço de carne de segunda, desconfie. Mais barato normalmente significa menos capaz (se bem que nem sempre mais caro signifique melhor…).
Hoje os americanos tem em sua frota aqueles 3 Seawolf, entre 20 e 40 dos velhos Los Angeles em serviço ativo (depende da fonte e da definição de serviço ativo, dos 60 e tantos Los Angeles construidos menos de 10 estão operacionalmente mortos, em caso de necessidade dá pra colocá-los de volta no mar), e 9 Virginia ativos mais 9 em diversas fases de acabamento.
Esses novos Akulas russos são muito bons barcos: Tom Clancy em “A Soma de Todos os Medos” diz que os americanos consideravam os últimos modelos de Akula como equivalentes aos primeiros Los Angeles (com uma pequena ajuda dos japoneses e noruegueses). Clancy escreve ficção, mas costuma ser bem informado.
Embora seja geralmente considerado que um SSN Virginia supera um Akula, a questão é: supera por quanto? O suficiente para equiparar os efeitos de uma tripulação desgastada por um mês de situação de combate versus uma tripulação fresca? O suficiente para anular as “sortes e os azares da guerra”?

Como era previsível, sendo uma versão feita para ser uma alternativa barata ao Seawolf, o Virginia é inferior.

Há relatos que a nova classe Astute britânica não perde em nada, se é que perde em algo para a classe Virgínia.

Então a pergunta é: será que o 3º melhor submarino do mundo é bom o suficiente para defender as costas norte-americanas?

2 Respostas to “Submarino invisível russo preocupa Pentágono”

  1. WSC Says:

    Bom ve-lo de volta Dorn. Excelente artigo. abraço. WSC


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