Os submarinos alemães e a Bomba de Israel

agosto 29, 2012

Repercutiu (o termo está na moda) há cerca de dois meses atrás uma reportagem do periódico alemão Der Spiegelsobre o possível uso por Israel de armas nucleares para armar seus submarinos fornecidos pela Alemanha.

Teci algumas considerações na época sobre o assunto no Grupo, pontuando sobre a notícia sumarizada neste LINK:

The German news magazine Der Spiegel has published a report that claims submarines purchased by Israel from Germany are being armed with nuclear weapons after their delivery.
Porque será que eu não estou surpreso?

Three of the submarines in question were recently sold to Israel, with the German government picking up part of the tab. Three more are to be delivered by 2017.
Os três primeiros barcos entraram em serviço entre 1999 e 2000. Recente, né? O primeiro dos outros três foi entregue à Marinha israelense em 5 de março de 2012:
http://www.jpost.com/Defense/Article.aspx?id=268588
O terceiro barco, que é uma encomenda adicional (feita em 21 de março de 2012) aos 2 originalmente encomendados em 2006 é que deve ser entregue por volta de 2017.
Der Spiegel já foi mais bem informada…

Additionally, Germany is said to have known about Israel’s nuclear weapons program since 1961.
Quem não sabia? Os franceses construiram o reator de Dimona, os britânicos ajudaram com água pesada, os alemães “perderam” uns desenhos de centrífugas de urânio da URENCO, os americanos até hoje não sabem onde foi parar aquele plutônio sumido da usina de Savannah…

Israel’s alleged capability to outfit the submarines with nuclear weapons was not previously known.
Só eu sei disso há mais de 10 anos… Tudo começou quando Clinton se recusou a vender Tomahawks para os israelenses. Israel tinha um míssil chamado Popeye, um bichinho tão bom que até a USAF comprou e usa com o nome de AGM-142 Have Nap. Então a idéia foi trocar o motor-foguete do missil por um turbo-jato, aumentar o alcance e conseguir um “Tomahawk Tabajara”.
Em maio de 2000 os israelenses fizeram um teste de tiro no oceano Indico, com um alcance de 1.500 km (o lançamento foi registrado por um navio da US Navy).
Some 1.500 km de alcance com uma ogiva nuclear…

A spokesman for the Israeli foreign ministry told the AFP news agency that it was no secret that Israel had German submarines.
Não é mesmo. Tudo começou na Guerra do Golfo, quando vazou a ajuda que as indústrias alemãs tinham dado ao programa de armas de Saddam. Bom, todo mundo ajudou Saddam: americanos, russos, franceses, brasileiros, a turma do Chavez…
Mas junte Israel, Alemanha e GÁS na mesma frase e… Pegaram, né?
Então a Alemanha concordou em pagar por 2 submarinos classe Dolphin, baseado no modelo U-209. Israel acabou comprando um terceiro (com um bom desconto, claro…).
Esses 3 novos, encomendados em 2006, são uma atualização baseada no novo U-212, com eletrônica modernizada e o sistema de propulsão independente AIP.
A Alemanha vai pagar um terço do preço das 2 primeiras unidades (como “incentivo fiscal” pros estaleiros, mas mais por costume mesmo…) e Israel aumentou a encomenda com um barco extra, que vai pagar full: um bilhãozinho de euros, more or less.

“As for the rest,” said Yigal Palmor, “I am not in a position to talk about their capacity.”
Eu também não falaria. O último que falou demais sobre armas nucleares israelenses, um tal de Mordechai Vanunu, pegou 18 anos numa prisão de segurança máxima, sendo 11 numa solitária. E isso porque o Mossad não pegou ele antes de abrir o bico, senão ele teria engrossado as estatísticas de acidentes de trânsito de Israel…

Steffen Seibert, spokesman for German Chancellor Angela Merkel, said the submarines were delivered unarmed.
Sem armas, mas com os sistemas de armas. E o estranho nesses subs israelenses é o seguinte: eles tem 10 tubos de torpedos ao invés dos 8 que são padrão no modelo U-209 no qual os Dolphins foram baseados. Desses 10 tubos, 6 são de calibre 533mm, o calibre padrão de torpedo pesado no Ocidente. Os outros 4 são de calibre 650mm, que é o padrão russo de torpedo pesado. Isso é estranho. O 650mm foi desenvolvido pelos russos como “matador de porta-aviões”, normalmente armado com ogivas nucleares, o que faz sentido dentro da doutrina naval russa, mas não faz nenhum sentido para os israelenses se pensarmos em guerra convencional. Quais as possíveis outras vantagens de um tubo de torpedo maior? Bom, para lançamento de minas permite o emprego de minas maiores. Também permite o lançamento de DSVs, veículos de transporte de mergulhadores de combate. Nada disso justifica a complicação de operar dois calibres de torpedos. Os próprios russos normalmente usam o torpedo de 533mm, usando um adaptador no tubo de 650mm. Foi um defeito num desses adaptadores que provavelmente causou a explosão que afundou o submarino Kursk em 2000.
Outra vantagem dos tubos maiores é no lançamento de mísseis encapsulados: logicamente ele permite o uso de mísseis maiores. Os americanos tiveram um bocado de trabalho para enfiar um Tomahawk numa cápsula que coubesse num tubo de 533mm. Um bom engenheiro consideraria a possibilidade de aumentar os calibres dos tubos. Os israelenses são ótimos engenheiros…

“The federal government will not speculate on subsequent arming,” he told Der Spiegel.
No que faz muito bem. Mas eu especulo mais um pouco: porque Israel vive deslocando um dos seus 3 submarinos para o Mar Vermelho, tendo o trabalho de dar a volta na Àfrica ou de ter de usar águas “não-amigas” como as do Canal de Suez e do Estreito de Tiran? Para proteger seus 10 quilômetros de litoral no Mar Vermelho, enfraquecendo a defesa de sua costa mediterrânea, por onde os palestinos recebem armas e desembarcam comandos terroristas? Pior, porque arriscar um barco importante desses num cruzeiro pelo Oceano Indico? Quais os interesses de Israel na região? Uma dica: peguem um mapa e tracem um círculo de 1.500km ao redor de Bagdá, Damasco e Teheran…
Mais interessante: Israel é uma das nações com maior proporção de cidadãos com dupla cidadania. Muitos israelenses são imigrantes recentes ou descendentes de primeira geração de imigrantes que mantém fortes laços com suas pátrias originais. Recentemente a força de submarinos israelense colocou em vigor uma norma proibindo a dupla cidadania entre os membros do serviço. Quem quiser servir a bordo dos Dolphins deve renunciar à qualquer outra cidadania.
http://www.ynetnews.com/articles/0,7340,L-4187233,00.html
Isso não é inédito, mas a renúncia à segunda cidadania sempre era exigida em postos que exigissem acesso a informações de segurança nacional. O que tem assim de tão “TOP SECRET” à bordo de um submarino convencional para exigir lealdade absoluta?
Eu não sei de nada, mas desconfio de muita coisa…
Aposto que à bordo desses barcos tem umas coisinhas interessantes, com uma marca mais ou menos assim:
Imagem

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