Machadinha de abordagem brasileira do perïdo da guerra do ParaguaiAs condições a bordo dos navios de guerra (espaços apertados, o balanço provocado pelas correntes e marés, etc…) dificultavam o uso de armas de fogo, seja pelo tamanho seja pela dificuldade de pontaria. As armas mais utilizadas em caso de abordagem eram as brancas. A machadinha usada a bordo dos navios tinha uma dupla função: era parte do equipamento de uso dos marinheiros. Esta era necessária em algumas ocasiões como quando era necessário se desfazer rapidamente de parte das cordas e mastros de uma embarcação danificados por tempestade ou pelo fogo inimigo. De fato, uma das “escolas” de combate naval – aquela adotada entre outros pelos Franceses e Brasileiros – previa que o fogo fosse feito principalmente contra os mastros dos navios inimigos, como uma forma de se reduzir a capacidade de manobra dos mesmos. Naturalmente, os danos nos mastros teriam que ser remediados o mais rápido o possível, uma das formas emergenciais sendo o descarte da parte danificada. Se a machadinha podia ser usada como ferramenta, ela também podia ser uma arma, e para isso parte das tripulações dos navios a recebiam: eram distribuídas a membros específicos da tripulação. Um manual de artilharia especificava que entre os artilheiros das peças, em caso de abordagem, os primeiros serventes seriam a equipagem da 1a leva de ataque/defesa, os chefes da peça da 2a leva de ataque/defesa e os segundos serventes, equipados de machadinhas, seriam parte da equipe de “reforço de incêndio”, ou seja, mais como membros da equipagem de reparos do que como combatentes, mas mesmo assim prontos para o combate.

Sabre de abordagem modelo norte-americano de 1860, usado pela Marinha Brasileira

O Sabre de Abordagem é outra arma de uso bem antigo na marinha, provavelmente com um tipo mais específico, devido as características do seu uso naval. Os exemplares conhecidos na Europa normalmente têm uma guarda grande, servindo para proteger a mão do combatente (que não usava armaduras), sendo que esta guarda muitas vezes é de latão, para diminuir os efeitos da oxidação causada pelo ar marinho. A lâmina é sempre curta, para não dificultar a esgrima nos espaços apertados de um navio e, normalmente, têm uma certa espessura, para poder ser usada para cortar cordas, etc, como a machadinha. Além disso, tem usualmente uma certa curvatura, para aumentar a eficiência dos golpes de gume. Os regulamentos da Marinha do século XIX previam o uso de sabres de abordagem por dois terços da tripulação de todos os navios de guerra.

Ponta e conto de chuço de abordagem de meados do século XIX.

O chuço de abordagem é uma pequena lança (no máximo com dois metros e meio de comprimento), usado nos navios desde as épocas mais antigas, pois, além de ser uma arma comum em terra (a lança de infantaria), também era baseado em uma ferramenta de uso diário a bordo, o croque. Durante o Império, os regulamentos militares previam o uso de chuços por um sexto das tripulações dos navios, sendo que um manual mais tardio especificava que os porta-cartuchos (serventes dos canhões que transportavam a munição dos paióis para a peça) seriam armados com eles, em caso de abordagem.

Uma arma de fogo desenvolvida especificamente para uso a bordo era o chamado Bacamarte de Amurada. Era de grande calibre, pois seu objetivo era espalhar uma carga de chumbo grosso (de 20 a 40 balins de cerca de 10 mm de diâmetro) contra massas de tropas. Devido a esta poderosa carga, era uma arma muito pesada, havendo exemplares com 15 quilos ou mais de peso. Por causa desse peso a arma chamava-se “de amurada”, pois tinha um espigão central, sobre o qual ela era colocada na amurada de navios, em furos existentes, pois o seu disparo do ombro do atirador era impossível. Apesar da lenda popular atribuir o fato da boca alargada do bacamarte se destinar a espalhar o tiro, isso é incorreto, pois a abertura maior ou menor da boca não fazia diferença na dispersão do fogo. Na verdade, a boca mais larga destinava-se a facilitar o carregamento da arma nas gáveas de um navio, locais problemáticos levando-se em conta o balanço do navio e a tensão do combate. Os manuais da Marinha Brasileira ainda determinavam, em 1857, que cada navio, dependendo da classe, fosse equipado com bacamartes, indo de 8 para cada nau até dois nas barcas. Seu uso continuou até a década de 1870, sendo que posteriormente foram substituídos pelas metralhadoras na mesma função.

Bacamarte de amurada inglês, século XIX, com cano de latão (apropriado para uso naval).

20 Respostas to “ARMAS A BORDO NA GUERRA DO PARAGUAI”

  1. alex Says:

    manda 8 caracteristicas da guerra do paraguai

  2. Marcos Pitombo Says:

    Prezado amigo,
    Estou fazendo uma pesquisa complexa sobre a tomada de paso de la pátria e humaita durante a guerra do paraguai. Seu blog foi o q mais me aproximou de algumas respostas como: número e tipo de embarcações utilizadas pela marinha brasileira nos rios paraná e paraguai durante a tomada de paso de la pátria e do forte de humaitá; velocidade das águas dos rios e dos navios; tempo para a Passagem (já q os navios ficaram expostos ao fogo de mais de uma centena de canhões); estratégias de navegação e ataque, já q os rios àquela época não eram balizados etc; enfim, como era essa navegação em si.
    Espero contar com a sua ajuda.
    Atenciosamente,
    Marcos Pitombo

  3. haroldo gibson martins Says:

    Caro companheiro
    estou fazendo uma pesquisa sobre a
    guerra do Paraguai, com relação a saber como era feito o transporte do material de artilharia, sua munição até o local de desembarque e de lá até as áreas de operações, onde eram os portos nos rios paraná e paraguai, quais eram as características dessas embarcações, tripulações, sua capacidade de carga, velocidade,. quantas paradas havia, qual o combustível, tipo de armamento, nome e tipo das embarcações, quem produzia e da onde se comprava, etc. Gostei muito do artigo
    espero contar com a sua ajuda.
    atenciosamente,
    haroldo

  4. roselita Says:

    adoreiiii!!!!!

  5. roselita Says:

    acho que voce poseria colocar alguma coisa sobre a independencia do Brasil, isso é importante para crianças e adultos, como voce parece bem dedicado, gostaria de pedir que me ligasse !

  6. Oswaldo Miranda Says:

    Prezado,
    Por conta de um livro que escrevo sobre a batlha de Tuiuti, gostaria de saber mais sobre as armas utilizadas pela infantaria e a cavalaria, tanto do Brasil e aliados, quanto do Paraguai, nesse combate.
    Agradeço a ajuda.

  7. caren Says:

    Preciso de informações sobre os portos utilizados na guerra do paraguai e sua importância

  8. fabiano Says:

    Sou acadêmico do curso de historia e estava precisando de fotos das armas utilizadas na guerra do Paraguai,e pude encontrar td material nesse site.Parabens pelo material reunido pois ele esta sendo p mim de muita valia.

  9. Luciano Bonatti Regalado Says:

    Prezados,

    Gostaria de saber se há referencias ou informações sobre os tipos de armas produzidas pela Fábrica de Ferro de Ipanema (interior de São Paulo) para a Guerra do Paraguai?

    Agradeço pela atenção!


    • Caro Luciano, desculpe a demora pela resposta. De acordo com o livro “Soldados e Negociantes na Guerra do Paraguai”, de autoria de Divalte Garcia Figueira, publicado pela UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS, ISBN 85-7506-024-4, a Fábrica de Ipanema não chegou a fornecer armamentos para o conflito paraguaio, pois encontrava-se em processo de reorganização pelo seu diretor, Coronel-Engenheiro Joaquim de Souza Mursa.
      Você pode acessar o livro gratuitamente nesse endereço: “http://www.scribd.com/doc/6920273/Soldados-e-Negociantes-na-Guerra-do-Paraguai”, a referência à Fundição Ipanema está nas páginas 92 a 95.

  10. Lucimeri Mauricio Says:

    Gostaria de saber se tem imagens de armas da Guerra do Paraguai, mas de Cavalaria, por exemplo, Sabres e Baionetas, porque tem uma e não exatamente o que é, se sabre ou baioneta, mas foi usada na Guerra do Paraguai. Ela tem um lugar para encaixe, não sei se para arma de fogo. Obrigada. Lucimeri.

  11. Carlos Q. Says:

    Interessante esse artigo.


  12. Olá.

    Estou fazendo a pesquisa para um programa de tv, Detetives da História, que atesta objetos de relevância histórica.

    Gostaria de entrar em contato, por telefone se possível, sobre uma espada possivelmente usada na Guerra do Paraguai.

    Obrigada e um abraço.

  13. Soraya Says:

    Tenho uma espada da guerra do Paraguai original da época. Como posso avaliar?

  14. joao pedro Says:

    quero saber quem compra bacarmarte meui pai que vende uma qual quer coisa manda um email ai
    cafumaninha@hotmail.com falo


  15. Em lojas de antiguidades nos EUA, Inglaterra e em certas partes da Europa encontra-se SABRES-DE-ABORDAGEM de diversos tipos com facilidade e eles podem ser comprados a preços relativamente baixos (cerca de 200/300 dólares nos EUA e por volta de 300/400 euros na Europa, onde tudo é mais caro). No Brasil ninguém conhece isso e as referências que se tem são as da Marinha ou Exército Imperiais e vêm truncadas, imprecisas, quase tímidas. Por que tem que ser assim e onde encontrar isso no Brasil? Grato se alguém responder.


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